segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Poema de anastaciano critica atendimento em posto - Valdemir Gomes dos Santos

(Do site ANASTACIO NOTÍCIAS)

Posto & Postura

Vou contar uma história,

Um fato inusitado.

Mas... Aconteceu comigo,

Vou deixá-lo registrado.

Para que todos entendam,

A origem do pecado.





Estava em um estabelecimento,

Com uma viatura oficial.

Abasteci com cartão,

Um procedimento normal.

Coloquei cinquenta e dois litros,

Encheu o tanque, afinal...





Após esse procedimento,

Já pronto pra viajar.

O percurso era longe,

Tinha que me preparar.

Apoderei de uma garrafa,

Água fria fui pegar.





Tamanha minha surpresa,

A resposta do frentista.

Temos gelo pra vender,

Para o amigo motorista!

Quando eu quis ponderar...

"Eu sou um simples frentista!"





Concordei com o rapaz,

Perguntei pelo gerente?

É aquele moço ali,

Que está um pouco à frente!

Agradeci o rapaz,

Fui a ele imediatamente!





Já cheguei argumentando,

Pois iria viajar.

E sendo a viagem longa,

Água teria que levar.

Por ter abastecido a viatura,

Não achava justo comprar.







Onde fica o bebedouro?

Perguntei ao senhor gerente.

Ele disse: mandei tirar!

Argumentou incontinente,

E continuou justificando:

"Para não dá água a indigente!"





Ao ouvir seus argumentos,

Não pude ficar calado.

Mas... Negar água a um ser humano,

Deixou-me perplexo e revoltado.

Talvez ele seja mendigo,

Por chances terem lhe negado!





Ele até concordou,

Mas continuaram seus argumentos.

O problema não é meu:

"Não os quero aqui dentro,

Pois são pessoas imundas.

São como cães rabugentos!"





Diante dos meus argumentos,

O homem apenas falou:

Sempre pago meus impostos,

Não ajudo não senhor!

É problema do governo,

"Abrigo a lixo não dou!"





Fiquei triste pensativo,

Fazendo uma reflexão.

E devolvi a resposta,

Com certa indignação.

Talvez hoje eles sejam lixos,

Por ninguém ter dado a mão.





Como o cara era tinhoso,

Continuou a falar:

Pois se dependerem de eu,

Lixos... Vão Continuar!

Pois nem água dou a eles,

Muito menos ajudar.









Diante dessa história,

Façamos uma reflexão!

Viramos mercadorias,

Nas gôndolas e... Na seção.

Valemos quanto pesamos,

Pobre vale nada não!





Saí triste indignado,

Com a garrafa vazia.

Como pode o ser humano.

Ser arrogante e... Mente vazia.

Esquece que a vida é...

Estrada de duas vias...





Peço desculpa ao freguês

Por não ter água gelada!

Não precisa se desculpar,

Comprei na loja errada!

Senhor fez-me um mendigo,

Continuo a caminhada.





Apenas quero informar:

Aqui eu não volto mais!

Quem não ajuda mendigo,

Novos mendigos... Faz!

Homem sem cidadania,

Não sabe pra onde vai.





Retirei do ambiente,

Pois ali não me cabia.

Para abastecer o carro,

O mendigo contribuía.

Mas... Transitar pelo recinto,

Pobre homem não podia!





E é nesse ambiente

Agindo dessa maneira

Que estamos contribuindo

Para subir a ladeira

A vida humana vale...

Menos que água gelada na geladeira.







Parei de argumentar

Para não ficar com azia

Percebi que tem pessoas

Que... È casca e hipocrisia

Vou rezar pelo gerente...

Que virão melhores dias!





Se o nosso Criador,

Voltar como mendigo!

Vai ficar perambulando,

Sem ninguém lhe dá abrigo.

Se ele for ao tal posto,

A vida corre perigo.





Poema: Valdemir Gomes dos Santos

21/02/09

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